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Cigarrinha causa prejuízo aos produtores de milho de Paraí

Segundo Emater, haverá uma perda média geral no município de 20% na produção de silagem.

Publicado em: 29/03/2021

Uma praga até então desconhecida, surpreendeu negativamente os produtores de milho de Paraí em 2021. Popularmente conhecida como cigarrinha do milho, por atacar apenas essa cultura, a Dalbulus maidis ocorre de forma generalizada na cultura do milho em todo o território nacional e, neste ano, causou prejuízos em diversas plantações de Paraí e região.

A cigarrinha é um inseto de cor branco-palha, que se alimenta da seiva da planta de milho e realizada a postura sob a epiderme da folha. Ela é o único inseto-vetor de espiroplasma e fitoplasma (bactérias da classe Mollicutes) microrganismos que causam o enfezamento-pálido e enfezamento-vermelho, respectivamente. O processo de transmissão ocorre  quando o inseto, ao se alimentar de uma planta doente, adquire espiroplasma, fitoplasma, ou ambos simultaneamente. A cigarrinha ao se alimentar da planta sadia inocula o patógeno, iniciando um novo ciclo da doença.

Os primeiros sintomas de enfezamento aparecem principalmente na parte superior da planta, com a descoloração das margens das folhas, seguido de avermelhamento ou amarelecimento e secamento prematuro. As plantas doentes podem ainda apresentarem redução na altura, espigas menores, grãos chochos e proliferação de espigas. A infecção ocorre normalmente nos estágios iniciais do desenvolvimento da planta, apesar disso, os sintomas da doença geralmente se manifestam na fase reprodutiva, após o florescimento do milho. Habitualmente, a cigarrinha migra de lavouras com plantas adultas para lavouras com plantas recém emergidas.

A Emater de Paraí estima que foram cultivados em torno de 3 mil hectares de milho no município, sendo 2 mil para a produção de silagem e mil para a colheita do grão. Segundo o extensionista da Emater, Orivaldo Trevisan, há uma perda média geral do município estimada em 20% na produção de silagem, por conta dos ataques da cigarrinha. “As maiores perdas foram registradas nas lavouras que foram semeadas após a estiagem ocorrida em outubro, evento que fez com que a população de cigarrinha se multiplicasse, pois, a temperatura elevada, acima de 17ºC à noite de 27º C de dia, favoreceram o desenvolvimento da praga.  Tivemos cultivares de milho com nível de suscetibilidade muito bons enquanto outros  foram  ruins. Quando da percepção dos danos, já era tarde para seu  controle,  propriedades tiveram perdas muito significativas, maiores se comparadas com  a seca ocorrida na safra passada”, afirma Orivaldo.

Por ser desconhecida, não houve precauções efetivas para evitar as perdas. “Para prevenir os ataques pela cigarrinha, o produtor deve buscar sementes com resistência; tratamento de sementes; monitorar a lavoura e fazer o tratamento com produtos específicos, principalmente no período da germinação até que a planta atinja o desenvolvimento de até oito folhas e priorizar o plantio no início do zoneamento climático. Outra questão muito importante é a eliminação do milho tiguera, que nasce de maneira espontânea. A cigarrinha é hoje a principal praga do milho, pois as perdas podem chegar a 100% em função da época de infecção e da suscetibilidade da cultivar plantada”, destaca o extensionista.